Oficina debate estratégias na atenção integral às crianças com síndrome congênita da Zika
A construção de uma política pública nacional de atenção integral à saúde da criança e do adolescente está em andamento desde 2009
A Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi), em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realiza na Nova Maternidade Evangelina Rosa a oficina “Primeiros Passos da Ação Zika nos Territórios”, com o objetivo de debater estratégias para a atenção integral às crianças com síndrome congênita da Zika e suas famílias.
O evento reuniu mães de crianças com microcefalia, profissionais das regionais de saúde, representantes das APAEs, do CEIR, da Fundação Municipal de Saúde e técnicos da Secretaria de Saúde, como explicou a coordenadora estadual de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente, Consolação Nascimento. “O encontro Primeiros Passos da Ação Zika nos Territórios tem o objetivo de qualificar profissionais para que possam replicar, em seus municípios, ações em rede voltadas para famílias com crianças com microcefalia. Somos o primeiro estado onde a oficina está sendo realizada”, afirmou.
Após dez anos do surgimento da síndrome congênita do Zika, mães, crianças e familiares da rede de apoio às pessoas com microcefalia agora têm mais informações sobre a condição. Para Francilene da Cruz, mãe de uma criança com microcefalia de dez anos, é fundamental que as autoridades compreendam a realidade e a dinâmica das famílias afetadas. “Estamos aqui nesta rede de apoio às mães e crianças para que eles ouçam o que temos a dizer, tanto nós, mães, quanto as próprias crianças. É muito gratificante contar com o apoio da Sesapi para levar às autoridades as reais necessidades de nossos filhos. O que temos a relatar é que nossas crianças foram acometidas por uma síndrome até então desconhecida”, destacou Francilene.
A construção de uma política pública nacional de atenção integral à saúde da criança e do adolescente estava em andamento desde 2009. No entanto, com a chegada da síndrome congênita da Zika, em 2015, novas estratégias foram integradas, e ações de cuidado e atenção às famílias passaram a ser prioritárias, conforme explicou Liliane Penello, coordenadora técnica da Estratégia Brasileiras e Brasileirinhos Saudáveis, da Fiocruz.
“De lá para cá, temos acompanhado essas famílias e crianças. Neste momento, estamos retomando esse projeto, no qual as crianças foram acompanhadas até 2019, antes da interrupção. Agora, por meio do projeto Primeiros Passos, do Ministério da Saúde, vinculado à Coordenação de Saúde da Criança do MS, estamos mobilizando esforços para retomar esses cuidados em dez estados do Brasil até o final de 2026, quando concluiremos essa etapa da Ação Zika nos Territórios”, concluiu Liliane.
Fonte: Sesapi