Agro brasileiro ganhará mais espaço após retaliações China x EUA
Novas alíquotas de Pequim em resposta a Trump elevam substancialmente o custo de carnes, soja e milho, onde Brasil e Estados Unidos disputam mercados
A nova rodada de retaliações comerciais entre China e Estados Unidos reacendeu o alerta nas grandes potências, ao mesmo tempo em que abriu uma janela de oportunidade para o Brasil. Com a escalada tarifária entre as duas maiores economias do mundo, setores do agronegócio brasileiro podem voltar a se beneficiar do conflito, ocupando espaços antes dominados pelos norte-americanos no mercado chinês.
Na última sexta-feira (4), o governo chinês anunciou uma tarifa adicional de 34% sobre todos os produtos norte-americanos, em resposta ao aumento de impostos aplicado por Donald Trump sobre itens chineses. As novas alíquotas, que entram em vigor no dia 10 de abril, devem elevar substancialmente o custo dos produtos dos EUA na China, tornando-os menos competitivos, especialmente em setores como carnes, soja e milho, onde Brasil e Estados Unidos disputam mercados, conforme reportado pelo portal G1.
Soja e carne de porco na liderança – A soja, que é o principal item das exportações brasileiras para a China, deve ser o primeiro a sentir os efeitos das tarifas. Embora os EUA ainda sejam o segundo maior fornecedor da leguminosa para os chineses, analistas acreditam que Pequim pode aumentar ainda mais as compras do Brasil para escapar das tarifas adicionais.
No setor de carnes, a expectativa é de que a carne suína seja a mais beneficiada, levando o mercado brasileiro a revisar suas projeções de exportação para cima.
Por outro lado, a carne bovina vive um momento de incerteza. No final de 2024, o governo chinês abriu uma investigação para avaliar os impactos das importações de carne bovina sobre a produção local, e há receio de que novas tarifas possam ser aplicadas ao produto, o que poderia frear a expansão das vendas brasileiras. No entanto, o aumento no consumo dessa proteína na China nos últimos anos e a ênfase do governo chinês na segurança alimentar podem favorecer o Brasil.
Milho e as condições climáticas – Embora o Brasil seja um dos principais exportadores de milho, o bom desempenho da safra chinesa em 2024 reduziu a necessidade de importações. Além disso, a produção brasileira enfrenta desafios climáticos, como a falta de chuvas em regiões estratégicas. Mesmo assim, há um cenário otimista caso a guerra comercial se prolongue, permitindo que o Brasil aproveite o tempo necessário para superar as dificuldades climáticas.
Além do agro: geopolítica e tecnologia em jogo – A disputa comercial entre China e Estados Unidos não se limita ao setor agropecuário, mas também afeta setores estratégicos da indústria global. A China anunciou a restrição da exportação de elementos de terras raras para os EUA, incluindo samário, disprósio, térbio e outros metais utilizados em armamentos, semicondutores e veículos elétricos. A medida visa diretamente empresas de alta tecnologia, que já enfrentam dificuldades com a fragmentação das cadeias produtivas globais.
Além disso, o governo chinês incluiu 16 empresas dos Estados Unidos na lista de controle de exportações e adicionou outras 11 à chamada “lista de entidades não confiáveis”, o que permite a imposição de sanções diretas, como a proibição de atividades comerciais no país e o congelamento de ativos.
Enquanto Washington e Pequim intensificam suas disputas, o Brasil se vê diante de uma oportunidade estratégica: reforçar sua posição como parceiro comercial confiável, especialmente no setor agropecuário.
Fonte: Pensar Piauí